
Os belos fraseados do sax tenor Eric Alexander na faixa de abertura, “Nemesis”, são marcas de qualidade na canção, que conta com uma seção rítmica muito bem entrosada composta pelo lendário baixista Ron Carter, pelo baterista Joe Farnsworth e pelo também lendário pianista Harold Mabern. Esse trio dá todo o suporte para Alexander mostrar o porquê de ser um músico tão aclamado por público e crítica atualmente. Seu hard bop que remete a boas lembranças de saxofonistas do passado (um quê de Dexter Gordon), tem energia própria e consegue a difícil missão de juntar muito vigor com lirismo. Essa canção nasceu com vocação para se tornar um standard do século XXI.
A interpretação de um standard jazzístico como “I Can Dream, Can't I?” reitera o lado lírico e melodioso de Alexander. O belo entrosamento do quarteto mais uma vez se sobressai. Destaque para o belo diálogo entre o baixo de Carter que sola com o acompanhamento do piano de Mabern para depois inverter a posição, quando Carter faz a base para o solo de Mabern. Alexander fica responsável por fazer a ligação entre as duas pontas da melodia ao retomar o tema central ao término da canção.

“I'll Be Around”, balada composta por Alec Wilder, ganha uma bela interpretação pelo quarteto. Definitivamente, essa é uma faixa gravada para o líder brilhar, pois Carter e Farnsworth conduzem o ritmo, Mabern acompanha com um característico espaçamento, enquanto Alexander assume a frente na melodia por boa parte da canção, cedendo esse espaço por pouco tempo para o piano.
A peculiaridade de “Cold Smoke” é que ela inicia com um motivo que parece encerrar a canção, como se o ouvinte chegasse com o trabalho já em andamento. Então, a canção revive puxada por Farnsworth, que logo é acompanhado por Mabern e Carter, que sustentam a base para o solado de Alexander. O piano também recebe um belo destaque com a classe de Mabern em seu solo. O que se tem no geral é um belo exemplo de hard bop bem executado, que alia impetuosidade e técnica. A canção flui tão naturalmente que parece uma jam session, na qual cada músico soa tão espontâneo, que esse material parece ter surgido no momento da gravação.

Composta por Eric Alexander em homenagem ao baixista Ron Carter, o quarteto interpreta “Big R. C.” com uma levada ótima cheia de balanço e uma cara de década de 1950. O ritmo post-bop envolvente propiciado por Farnsworth e Carter em diálogo com o piano de Mabern é o destaque da canção, que conta ainda com um solo refinado e melodioso de Alexander, que remete àquela ternura por vezes só encontrada em Dexter Gordon ou Lester Young. Com certeza é um dos pontos altos do álbum.

Eric Alexander é um grande saxofonista tenor mais propício ao hard bop que conta com um refinado senso de melodia. Ele sabe até onde levar o som de seu sax sem incorrer em exageros, que o fariam mais parecer como um imitador de grandes instrumentistas do passado; no entanto, ele consegue ter voz própria. Acompanhado por ótimos músicos, Alexander mostra seu valor em Nightlife in Tokyo não apenas como saxofonista, mas também como compositor, pois seu trabalho é consistente e de grande qualidade. Esse álbum é obrigatório para quem quer ficar interado com o que de melhor ocorre no jazz do século XXI.
Todos os músicos que participaram do álbum:
Eric Alexander: saxofone tenor
Harold Mabern: piano
Ron Carter: baixo
Joe Farnsworth: bateria
Faixas de Nightlife in Tokyo:
01. Nemesis [Alexander] 8:00
02. I Can Dream, Can't I? [Fain, Kahal] 7:59
03. Nightlife in Tokyo [Mabern] 6:36
04. I'll Be Around [Wilder] 7:59
05. Cold Smoke [Alexander] 8:25
06. Island [Alexander] 7:40
07. Big R.C. [Alexander] 6:17
08. Lock Up and Bow Out [Alexander] 5:32
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