
“Travelers”, a primeira faixa do álbum, puxa o ouvinte para duas rotas diferentes, porque de um lado o baterista Eric Harland executa uma base de jazz-funk; enquanto, o pianista Aaron Parks toca uma melodia cheia de recursos e que se constrói o tempo todo, que ao final da canção se transforma em uma melodia clássica, tanto que se ouvido separadamente, o solo de Parks é próximo de uma sonata.
“Nemesis” se constrói a partir do piano de Parks tocando repetidamente a mesma nota e Moreno fazendo um solo repleto de lacunas. O efeito do piano, do baixo e da bateria é quase hipnótico, pois o ritmo é meticulosamente mantido até que Parks se liberta para solar. Mas é um engano pensar que o piano está realmente liberto, pois Parks volta a marcar o ritmo com uma das mãos e tocar um glockenspiel com a outra; enquanto, Moreno conduz a melodia com um solo viajante à Pat Metheny.

A primeira parte de “Karma” contrasta o ritmo balançante de Harland e Penman com a melodia introspectiva de Parks e Moreno. A progressão da canção vai dando mais liberdade ao pianista e ao guitarrista que são responsáveis por belos duetos em uma peça que se caracteriza por sua espontaneidade e por seu estilo viajante, que conduz o ouvinte devido a sua fluidez. Parks e Moreno conseguem um entrosamento muito bom nessa faixa, e o mesmo pode ser dito de Penman e Harland, o que faz o trabalho do quarteto excelente.

“Harvesting Dance” encontra na melodia elegantemente conduzida por Parks a sua força central, que é bem distribuída nas batidas bem marcadas por Harland, no baixo seguro de Penman e, principalmente, nos solos e acompanhamentos de Moreno, que encontra muita liberdade para deixar sua sonoridade fluir. É fácil deixar-se envolver pela canção, porque ela é muito bem construída e os duetos de guitarra e piano são repletos de energia.

O álbum encerra com “Afterglow”, uma canção solo de Parks com um tom intimista, na qual ele desenvolve um tema sem nunca se afastar da sua referência inicial.
Já considerado como um dos grandes lançamentos de jazz de 2008, Invisible Cinema, que alcançou a posição 21 no Top Jazz Albums da Billboard, dificilmente deixará de dar alguma premiação ao pianista e compositor Aaron Parks nas tradicionais eleições de melhores do ano. O álbum é consistente e apresenta canções de qualidade, além de mostrar não apenas o talento e a capacidade técnica de Parks, mas traz também um grupo de talentosos músicos que juntos realizam um grande trabalho. Parks é um dos mais promissores pianistas de sua geração e alguém de quem pode-se esperar muita contribuição para o jazz o século XXI.
Todos os músicos que participaram do álbum:
Aaron Parks: piano, mellotron (3), glockenspiel (3), teclado (3, 5, 6, 8);
Mike Moreno: guitarra (2, 3, 4, 6, 7, 8 e 9);
Matt Penman: baixo (1, 2, 3, 4, 6, 7, 8 e 9);
Eric Harland: bateria (1, 2, 3, 4, 6, 7, 8 e 9).
Faixas de Invisible Cinema:
01. Travelers [Parks] 5:34
02. Peaceful Warrior [Parks] 9:39
03. Nemesis [Parks] 6:14
04. Riddle Me This [Parks] 2:43
05. Into the Labyrinth [Parks] 2:53
06. Karma [Parks] 8:06
07. Roadside Distraction [Parks] 2:44
08. Harvesting Dance [Parks] 9:35
09. Praise [Parks] 4:43
10. Afterglow [Parks] 2:45
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Veja o vídeo de Aaron Parks tocando “Travelers”:
Veja o vídeo de Aaron Parks tocando “Peaceful Warrior”:
Veja o vídeo de Aaron Parks tocando “Nemesis”:
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